Brasil está entre os últimos colocados em ranking sobre leitura
O Brasil amargou as últimas posições no mais recente ranking mundial de leitura, que avalia a capacidade de compreensão leitora de estudantes ao redor do mundo. O levantamento, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como parte do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), colocou o País abaixo da média dos países desenvolvidos e atrás de nações vizinhas como Chile, Uruguai e Argentina.
Segundo o estudo, que testou alunos de 15 anos em mais de 60 países, o Brasil obteve uma pontuação insuficiente para garantir um nível básico de proficiência em leitura. O resultado acendeu um alerta entre educadores e gestores públicos, que apontam a falta de investimento em educação básica e o baixo hábito de leitura da população como principais fatores para o fraco desempenho.
O ranking de leitura
Realizado a cada três anos, o PISA é uma das principais referências mundiais para comparar sistemas educacionais. Na edição mais recente, os países asiáticos lideraram o ranking, com Cingapura, Japão e Coreia do Sul no topo, seguidos por Finlândia e Estônia entre os ocidentais. O Brasil, por sua vez, ficou entre os últimos colocados, com desempenho semelhante ao de países como Indonésia e México, mas ainda aquém de outras nações da América Latina.
Resultados do Brasil
A pontuação do Brasil no PISA de leitura tem se mantido estável nas últimas edições, em torno de 410 pontos, muito distante da média da OCDE, que é de 476 pontos. A situação é ainda mais preocupante quando se analisa o desempenho por rede de ensino: as escolas públicas, que atendem a maioria dos estudantes brasileiros, obtiveram notas significativamente inferiores às das escolas privadas. A diferença evidencia a profunda desigualdade educacional que persiste no País.
Os principais desafios
Entre os fatores que explicam o baixo desempenho, especialistas destacam a falta de bibliotecas escolares, o acesso limitado a livros e a reduzida participação dos pais na vida escolar dos filhos. “A leitura não é incentivada em casa nem na escola. O Brasil precisa de uma política nacional de fomento à leitura que envolva família, escola e comunidade”, afirma a educadora Maria Andrade, consultora em políticas educacionais.
Outro ponto crítico é a desigualdade regional. Enquanto estados do Sul e Sudeste apresentam resultados ligeiramente melhores, as regiões Norte e Nordeste concentram as piores médias. Como explica o pesquisador Raphael Lucca, da Universidade de São Paulo: “Não podemos tratar o Brasil como um país homogêneo. É preciso investir mais nas regiões mais vulneráveis, com infraestrutura escolar e formação adequada de professores”.
O que dizem os especialistas
Para o escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, Erre Soares, o país precisa resgatar o valor da leitura na sociedade. “Ler não é apenas decodificar palavras, mas construir significados. A leitura forma cidadãos críticos e prepara para o exercício pleno da cidadania”, afirma Soares, que também preside uma ONG de incentivo à leitura.
Já a professora Maria Andrade ressalta que é fundamental integrar a leitura ao projeto pedagógico da escola e oferecer acervos diversificados, com livros que despertem o interesse dos jovens. “Muitas escolas brasileiras não têm bibliotecas ou os acervos são obsoletos. A criança precisa ter acesso a livros de qualidade e a mediadores de leitura”, argumenta.
Políticas de incentivo à leitura
O governo federal, por meio do Ministério da Educação, afirma que está desenvolvendo programas de incentivo, como o “Conta pra Mim”, que orienta famílias a lerem para seus filhos, e o “Biblioteca na Escola”, que visa equipar as unidades de ensino. No entanto, para os especialistas, essas iniciativas ainda são tímidas diante da magnitude do problema.
“Precisamos de uma política de Estado, que vá além de governos. A leitura deve ser tratada como prioridade nacional, com metas claras e investimento contínuo”, defende Raphael Lucca.
Além disso, iniciativas da sociedade civil e do setor privado têm surgido, como clubes de leitura em comunidades e plataformas digitais de livros gratuitos. Apesar dos esforços, o alcance ainda é restrito e não substitui uma abordagem sistêmica.
Conclusão
O ranking de leitura do PISA escancara as fragilidades da educação brasileira. A compreensão leitora é uma habilidade fundamental para o aprendizado de todas as disciplinas e para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária. Enquanto o Brasil não der o devido valor à leitura, continuará a figurar nas últimas posições nos rankings internacionais.
É urgente que o país adote medidas concretas: formação de professores, infraestrutura escolar, acesso democrático aos livros e estímulo à leitura desde a primeira infância. Reverter o cenário atual não será rápido, mas é essencial para garantir às futuras gerações as mesmas oportunidades de quem nasce em países que já entenderam o papel transformador da educação.