Banco Mundial e BB criam balcão único para crédito de carbono
O Banco Mundial e o Banco do Brasil (BB) anunciaram, nesta semana, a criação de um balcão único para a negociação de créditos de carbono. A plataforma visa integrar compradores e vendedores de créditos de carbono no mercado brasileiro, facilitando o acesso a esse instrumento financeiro que tem ganhado relevância global como ferramenta de combate às mudanças climáticas.
A iniciativa faz parte de uma parceria estratégica entre as duas instituições, com o apoio do Ministério da Economia e do Ministério do Meio Ambiente. O balcão único funcionará como um mercado organizado, onde empresas poderão registrar seus projetos de redução de emissões e comercializar os créditos gerados de forma transparente e segura.
Detalhes da parceria
Segundo comunicado oficial, o Banco Mundial fornecerá assistência técnica e expertise internacional, enquanto o Banco do Brasil atuará como operador financeiro local, utilizando sua rede de agências e plataforma digital para alcançar produtores rurais e empresas de todos os portes. A plataforma será integrada a sistemas internacionais de certificação, garantindo a credibilidade dos créditos negociados.
O balcão único será inicialmente focado em créditos de carbono oriundos de projetos de reflorestamento, energia renovável e eficiência energética. A expectativa é que a negociação possa gerar receita significativa para o Brasil, que possui um enorme potencial de geração de créditos devido à sua vasta cobertura florestal e matriz energética limpa. O país responde por uma parcela importante dos créditos de carbono gerados globalmente.
Impacto econômico e ambiental
Especialistas consultados pelo Tabloide avaliam que a iniciativa pode impulsionar o mercado de carbono no país, que ainda é incipiente. A criação de um balcão único reduz custos de transação e aumenta a transparência, atraindo investidores internacionais interessados em ativos verdes.
O presidente do BB, em entrevista, destacou que o banco já possui linha de crédito vinculada à sustentabilidade e que a nova plataforma complementa essas ações. “Estamos criando um ecossistema financeiro verde, que beneficia o meio ambiente e gera valor para nossos clientes”, afirmou. A expectativa é movimentar bilhões de reais nos primeiros anos de operação.
Próximos passos
A plataforma está em fase de desenvolvimento e deve entrar em operação no segundo semestre de 2025. O cadastro de projetos e a certificação dos créditos seguirão padrões internacionais, como o Verra e o Gold Standard. O governo brasileiro estuda ainda a criação de um marco regulatório específico para o mercado de carbono, o que dará mais segurança jurídica ao setor.
O anúncio ocorre em meio a pressões internacionais para que o Brasil avance na regulação do mercado de carbono, um dos temas centrais da agenda ambiental do governo federal. A expectativa é que o país se consolide como um hub global de créditos de carbono sustentáveis.
O Banco Mundial já participa de iniciativas semelhantes em outros países, como México e Colômbia. A experiência internacional será crucial para desenhar regras claras e evitar fraudes, um problema comum em mercados de carbono emergentes. O Brasil, como maior país da América Latina e detentor de grande parte da Amazônia, tem potencial para se tornar um protagonista global nesse setor.
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