Cacau da Bahia ressurge como zona cacaueira
A cacauicultura baiana, que já foi a maior produtora de cacau do Brasil e do mundo, está experimentando um novo capítulo. Após décadas de crise causada pela vassoura-de-bruxa e pela concorrência internacional, a região cacaueira da Bahia volta a ganhar destaque no cenário nacional, com investimentos em tecnologia, genética e práticas sustentáveis.
Histórico da produção de cacau na Bahia
Até os anos 1980, a Bahia respondia por cerca de 80% da produção brasileira de cacau, concentrada no sul do estado, principalmente nos municípios de Ilhéus e Itabuna. O ciclo do cacau foi responsável por grande desenvolvimento econômico e cultural na região, mas a crise da década de 1990, com o surgimento da doença vassoura-de-bruxa (causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa), devastou as plantações e levou muitos produtores à falência. A produção despencou, abrindo espaço para o avanço do cacau do Pará, que hoje lidera a produção nacional.
Fatores que impulsionam o renascimento
Nos últimos anos, a região sul da Bahia vem se reerguendo. Programas de recuperação genética desenvolveram variedades resistentes à vassoura-de-bruxa, como o CCN-51 e o CEPEC, que aliados a técnicas modernas de manejo, têm elevado a produtividade. O uso de sistemas agroflorestais (cabruca) — que integram cacau com árvores nativas da Mata Atlântica — tem agregado valor ao produto, atraindo o interesse de chocolatiers artesanais e do mercado internacional de chocolate premium.
Além disso, a demanda global por chocolate sustentável e de origem certificada tem impulsionado o cacau baiano. A região conta com denominação de origem e indicações geográficas, valorizando o terroir local. O governo estadual e federal, por meio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), tem investido na assistência técnica e na distribuição de mudas melhoradas.
Dados recentes mostram que a produção de cacau na Bahia cresceu mais de 30% nos últimos cinco anos, recuperando áreas antes abandonadas. O estado já responde por cerca de 30% da produção nacional, perdendo apenas para o Pará. Exportações de amêndoas e derivados, como manteiga e liquor, também aumentaram, gerando divisas e empregos.
Impacto econômico e perspectivas
O renascimento do cacau baiano traz benefícios para toda a economia regional. Municípios que antes dependiam de atividades de subsistência agora voltam a ter o cacau como motor econômico, gerando postos de trabalho no campo e nas indústrias de beneficiamento. O turismo rural associado às fazendas de cacau também cresce, com visitantes interessados em conhecer todo o processo, do fruto ao chocolate.
As perspectivas são otimistas: com as mudanças climáticas, áreas tradicionalmente produtoras de cacau no mundo podem ser afetadas, e a Bahia, com seu clima favorável e tecnologia adaptada, pode se consolidar como fornecedor confiável de cacau de qualidade. No entanto, desafios como regularização fundiária, acesso a crédito e infraestrutura ainda precisam ser superados.
A recuperação da cultura cacaueira na Bahia simboliza a resiliência do agricultor brasileiro e a capacidade de inovação do setor agropecuário. Acompanhando as tendências globais de sustentabilidade e rastreabilidade, a zona cacaueira baiana se posiciona para um futuro promissor.
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