Contas externas têm saldo negativo de US$ 4,6 bilhões em outubro

Por Redação O Tabloide 28 de novembro de 2024

As contas externas do Brasil registraram um déficit de US$ 4,6 bilhões em outubro, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central. O resultado veio ligeiramente acima das expectativas do mercado, que projetava um saldo negativo de US$ 4,5 bilhões.

O déficit foi impulsionado principalmente pelo aumento do rombo na conta de serviços e rendas. No setor de serviços, as despesas com viagens internacionais, transportes e aluguel de equipamentos pesaram no resultado. Já na conta de rendas, a remessa de lucros e dividendos para o exterior somou US$ 2,8 bilhões no período.

Apesar do déficit nas contas externas, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 5,2 bilhões em outubro, impulsionado pelas exportações de commodities como minério de ferro, petróleo e soja. No entanto, o saldo positivo não foi suficiente para compensar as saídas das demais contas.

No acumulado de janeiro a outubro de 2024, o déficit em transações correntes atingiu US$ 45,2 bilhões, o equivalente a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse montante representa um aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano passado.

O financiamento do déficit foi coberto pelo ingresso de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que totalizaram US$ 62,4 bilhões nos primeiros dez meses do ano. O volume de IED é suficiente para cobrir folgadamente o rombo das contas externas, indicando confiança do capital produtivo na economia brasileira.

Para o mês de novembro, a expectativa do mercado financeiro é de que o déficit em conta corrente se mantenha em patamar elevado, com a desaceleração da economia global e a queda nos preços das commodities impactando as exportações brasileiras.

"O resultado de outubro reflete a continuidade do processo de internacionalização da economia brasileira, com forte saída de recursos para pagamento de serviços e rendimentos. Apesar do cenário externo adverso, o IED segue robusto, o que demonstra a confiança do investidor de longo prazo no país", avaliou o economista-chefe da consultoria ABC, Carlos Andrade.

O mercado projeta um déficit em conta corrente de US$ 55 bilhões para o fechamento de 2024, segundo o boletim Focus do Banco Central. Para 2025, a estimativa é de um déficit ligeiramente menor, de US$ 52 bilhões, refletindo a melhora esperada no cenário internacional.