Dólar cai para R$ 5,16 com prévia da inflação no Brasil
O dólar comercial encerrou a sessão desta quarta-feira cotado a R$ 5,16, registrando queda de mais de 1% impulsionada pela divulgação da prévia da inflação de janeiro, o IPCA-15, que veio abaixo das expectativas do mercado. O índice de preços mostrou desaceleração em relação ao mês anterior, reforçando a aposta de que o Banco Central pode reduzir a taxa Selic mais cedo do que o previsto.
IPCA-15 abaixo do esperado
A prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, subiu 0,31% em janeiro, taxa inferior ao 0,40% esperado pelos analistas consultados pela Bloomberg. No acumulado em 12 meses, o indicador passou de 4,72% para 4,45%, ainda acima do centro da meta de 3,5%, mas com tendência de queda. O resultado foi influenciado pela desaceleração nos preços de alimentos e transportes, além da queda nos preços de vestuário.
Segundo economistas, o dado reforça a percepção de que a inflação está sob controle e abre espaço para o Copom iniciar um ciclo de cortes na Selic já na próxima reunião, em fevereiro. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano.
Cenário externo favorável
No cenário internacional, o dólar também perdeu força frente a outras moedas emergentes, com a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos mantenha os juros estáveis na próxima reunião. O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas, caiu 0,3% no dia. O ambiente externo favorável contribuiu para a apreciação do real e de outras divisas de países em desenvolvimento.
O movimento de queda do dólar também foi influenciado pelo fluxo de capital estrangeiro para o mercado brasileiro. Com a perspectiva de juros mais baixos nos Estados Unidos, investidores buscam maiores retornos em economias emergentes, como o Brasil. Isso aumenta a oferta de dólares no mercado doméstico e pressiona a cotação para baixo.
Impactos na economia brasileira
A queda do dólar é bem-vinda para o controle da inflação, já que reduz o custo de insumos importados, como combustíveis e matérias-primas. Para as empresas, a apreciação do real alivia a pressão sobre os custos de produção. No entanto, exportadores podem ser prejudicados, pois a moeda brasileira mais forte torna os produtos nacionais menos competitivos no exterior.
O setor de turismo também sente o reflexo: o dólar turismo foi vendido a cerca de R$ 5,35 nas casas de câmbio, tornando viagens internacionais mais baratas para os brasileiros. Por outro lado, a receita do setor de exportação pode ser impactada.
Perspectivas
Analistas do mercado financeiro projetam que, se a inflação continuar perdendo força, a moeda americana pode testar o patamar de R$ 5,00 nas próximas semanas. No entanto, eles alertam que o cenário fiscal doméstico continua sendo um ponto de atenção. A tramitação de reformas econômicas no Congresso e a trajetória da dívida pública serão fatores determinantes para a manutenção da tendência de queda.
A pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, mostra que os analistas consultados reduziram a projeção para o dólar no final de 2024, de R$ 5,30 para R$ 5,20. Isso reforça a confiança na melhora do cenário econômico. No mercado de opções, a volatilidade implícita do câmbio caiu, indicando menor expectativa de oscilações bruscas.
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