O dólar comercial ultrapassou a marca de R$ 5,40, impulsionado pela perspectiva de juros altos nos Estados Unidos e pelo retorno de uma Medida Provisória (MP) ao Congresso, gerando apreensão no mercado financeiro.

O mercado de câmbio brasileiro enfrenta um período de pressão alta. O dólar comercial rompeu o patamar de R$ 5,40, refletindo um cenário externo desfavorável e ruídos na política fiscal doméstica.

Nos Estados Unidos, dados recentes indicam que a inflação segue acima da meta de 2% do Federal Reserve (Fed), reduzindo as expectativas de um corte nos juros americanos no curto prazo. Juros mais altos nos EUA tornam os títulos do Tesouro americano mais atrativos, desviando investimentos de mercados emergentes, como o Brasil, e fortalecendo o dólar globalmente.

No front interno, a devolução de uma Medida Provisória com impacto fiscal pelo Congresso aumentou a desconfiança dos investidores. A MP em questão era considerada estratégica pela equipe econômica para equilibrar as contas públicas. Sua devolução foi interpretada como um sinal de maior dificuldade do governo para aprovar sua agenda fiscal, elevando o prêmio de risco cobrado para se investir no país.

Com a alta da moeda, investidores buscam proteção (hedge) contra a volatilidade, o que alimenta ainda mais o movimento de alta. O mercado agora aguarda os próximos passos do Banco Central e do Ministério da Fazenda. A expectativa é que a autoridade monetária possa atuar com leilões de linha de câmbio para conter oscilações bruscas, enquanto o governo tenta reconstruir a ponte com o Legislativo para avançar em pautas econômicas.

A combinação de fatores externos e internos deve manter a volatilidade no câmbio nos próximos dias, com o Real sob pressão enquanto não houver sinais mais claros de arrefecimento dos juros americanos e de um encaminhamento sólido para a questão fiscal brasileira.

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