O mercado financeiro elevou para 2,89% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2023, conforme a mais recente pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central. O número representa um aumento em relação à previsão anterior, que era de 2,71%.

A revisão ocorre em meio a indicadores econômicos positivos, como o avanço do setor de serviços e a recuperação do mercado de trabalho. Economistas consultados pelo BC destacam também o desempenho do agronegócio e as medidas de estímulo fiscal como fatores que contribuíram para a melhora das expectativas.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento passou de 2,71% para 2,89%, enquanto a projeção para a inflação medida pelo IPCA foi mantida em 4,9% para este ano. A pesquisa Focus também indicou que a taxa básica de juros, a Selic, deve encerrar 2023 em 12% ao ano.

O governo federal comemorou os números, mas ressaltou a importância da disciplina fiscal para garantir a sustentabilidade do crescimento. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que as reformas em andamento são fundamentais para melhorar o ambiente de negócios e atrair investimentos.

O novo arcabouço fiscal, aprovado pelo Congresso, é visto como um passo importante para controlar o endividamento público e manter a confiança dos investidores. A regra substitui o teto de gastos e estabelece metas para as contas do governo.

Por outro lado, analistas alertam que o cenário internacional ainda é incerto, com a desaceleração da economia global e os juros elevados nos Estados Unidos, o que pode impactar as exportações brasileiras e o fluxo de capitais.

A projeção de 2,89% está dentro do esperado pelo mercado, mas ainda abaixo do crescimento de 3,0% registrado em 2022. Para 2024, a expectativa é de um crescimento mais moderado, em torno de 2,0%, segundo os economistas.

O relatório Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central e reúne as expectativas de cerca de 150 instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país.

A pesquisa Focus também trouxe projeções para o câmbio: a cotação do dólar deve fechar 2023 em R$ 4,95, ante R$ 5,00 previsto anteriormente. A melhora na projeção cambial reflete o fluxo positivo de investimentos e o bom desempenho da balança comercial.

No mercado de trabalho, a projeção para a taxa de desemprego ficou em 9,2% para 2023, ligeiramente abaixo da previsão anterior. A geração de empregos formais tem surpreendido positivamente, com saldo acima do esperado nos últimos meses.

Para a indústria, a expectativa é de crescimento de 2,1% neste ano, impulsionada pela recuperação da construção civil e do setor automotivo. O setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB, deve crescer 3,0%.

O agronegócio brasileiro deve registrar expansão de 3,5% em 2023, sustentado pela safra recorde de grãos e pelos preços favoráveis das commodities. O setor agropecuário contribui para o superávit da balança comercial e para a geração de divisas.

O consumo das famílias também mostra resiliência, com a queda gradual da inflação e a melhora do mercado de trabalho. As vendas no varejo cresceram nos últimos meses, indicando recuperação da confiança do consumidor.

Os economistas consultados mantêm a projeção de superávit primário de 0,3% do PIB para este ano, mas destacam que o cumprimento da meta fiscal depende do avanço das reformas e do controle dos gastos públicos.

A divulgação da pesquisa Focus é acompanhada de perto pelo mercado financeiro e pelos formuladores de política econômica, servindo como termômetro das expectativas para a economia brasileira.

Com a revisão para cima, o mercado sinaliza confiança gradual na recuperação econômica, embora riscos permaneçam no horizonte, como a volatilidade política e as tensões geopolíticas internacionais.