Mercado financeiro reduz projeção da inflação de 5,79% para 5,76%

Por Redação O Tabloide Publicado em setembro de 2024

O mercado financeiro brasileiro ajustou suas expectativas para a inflação, reduzindo a mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,79% para 5,76%, conforme a edição mais recente do Boletim Focus, divulgada pelo Banco Central. A pesquisa, realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras, reflete a percepção dos analistas sobre a evolução dos preços na economia.

Para 2025, a projeção também recuou, de 3,92% para 3,90%. Já para 2026, a mediana permaneceu estável em 3,62%. Os dados indicam que o mercado espera uma convergência gradual da inflação para o centro da meta, mas ainda com riscos.

A redução das expectativas ocorre em um contexto de arrefecimento da atividade econômica e queda nos preços das commodities, que aliviam as pressões inflacionárias. Além disso, a política monetária contracionista do Banco Central, que manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano até agosto, começa a mostrar efeitos. No entanto, o próprio boletim aponta que a mediana para a Selic no fim de 2024 subiu de 13,75% para 14,00%, sinalizando que o mercado espera juros elevados por mais tempo.

A análise por grupos de despesas mostra que as maiores pressões inflacionárias vêm do setor de serviços e dos alimentos no domicílio. Os preços administrados, como energia elétrica e combustíveis, também têm influência significativa. A projeção para os preços administrados caiu de 9,00% para 8,86%, contribuindo para a revisão geral para baixo.

Apesar da leve melhora na inflação projetada, os analistas destacam riscos que podem comprometer a trajetória de queda, como a incerteza fiscal, a volatilidade cambial e os impactos climáticos sobre a agricultura. O governo federal tem buscado aprovar medidas de ajuste fiscal, mas o ambiente político ainda gera desconfiança.

Em relação ao crescimento econômico, a projeção para o PIB em 2024 foi revisada para cima, de 2,85% para 2,90%, impulsionada pelo consumo das famílias e pelo mercado de trabalho aquecido. Para 2025, a expectativa de crescimento é de 2,00%.

O mercado de trabalho aquecido, com taxa de desemprego em queda, pode gerar pressões inflacionárias via demanda. A renda disponível e o crédito em expansão alimentam o consumo, o que pode dificultar a queda dos preços. O cenário internacional continua sendo monitorado: a desaceleração da China e a manutenção dos juros altos nos Estados Unidos afetam as economias emergentes, incluindo o Brasil.

A pesquisa Focus também monitora as expectativas para o câmbio. A mediana para o dólar no fim de 2024 subiu de R$ 4,95 para R$ 5,00, refletindo a incerteza fiscal e externa. Para 2025, a projeção é de R$ 5,10.

O mercado acompanha de perto as discussões em Brasília sobre o novo arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos. A aprovação do texto base pelo Congresso trouxe alívio, mas a implementação e a calibragem das regras ainda geram dúvidas. Segundo analistas, a credibilidade fiscal é essencial para ancorar as expectativas de inflação e permitir a queda dos juros.

A redução de 5,79% para 5,76% representa um alívio, mas ainda é insuficiente para garantir o cumprimento da meta de 4,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual. Com a projeção atual de 5,76%, ainda há um desvio de 1,26 ponto, exigindo que a política monetária se mantenha cautelosa. O Banco Central, sob o comando de Roberto Campos Neto, tem reiterado que os juros permanecerão elevados até que a inflação mostre sinais consistentes de convergência.

A próxima reunião do Copom, marcada para setembro, será crucial para definir os próximos passos da taxa Selic. O mercado aguarda sinais sobre o ritmo de queda dos juros no próximo ano, que dependerá da evolução da inflação e do quadro fiscal.

A pesquisa Focus é um dos instrumentos mais acompanhados pelo mercado financeiro e serve de insumo para as decisões de política monetária. Embora a redução da projeção da inflação seja modesta, ela reforça a expectativa de que a inflação está em trajetória descendente, ainda que distante do centro da meta.

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