Monitor do PIB-FGV aponta crescimento de 2,9% em 2022
O Monitor do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que a economia brasileira fechou 2022 com crescimento de 2,9%. O resultado, divulgado no início de 2023, confirma a recuperação da atividade econômica após os impactos da pandemia de Covid-19 e veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.
O Monitor do PIB é um índice mensal elaborado pela FGV com base em indicadores como produção industrial, vendas no varejo, serviços, investimentos e importações. Ele permite acompanhar a tendência do PIB em tempo real, servindo como antecedente do dado oficial do IBGE. Em 2022, o monitor mostrou crescimento consistente ao longo dos trimestres, com destaque para o segundo e terceiro trimestres.
Do ponto de vista setorial, os serviços — que respondem por cerca de 70% do PIB — lideraram o avanço, com alta estimada em 3,5% no ano. O comércio varejista, o transporte e as atividades financeiras foram os destaques positivos. A indústria registrou crescimento de 2,2%, impulsionada pela construção civil e pela produção de bens de capital, que se beneficiaram da retomada de obras e do aumento da demanda interna. A agropecuária, por sua vez, avançou 0,8%, abaixo do potencial, reflexo de condições climáticas adversas em algumas regiões e dos altos custos de insumos.
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 3,1%, beneficiado pela melhora no mercado de trabalho — com taxa de desemprego em queda — e pelos programas sociais mantidos ao longo do ano, como o Auxílio Brasil. A formação bruta de capital fixo (investimentos) subiu 1,5%, indicando retomada gradual dos investimentos produtivos, embora ainda abaixo do nível pré-pandemia. As exportações de bens e serviços também contribuíram, com alta de 4,0%, impulsionadas pelo agronegócio (soja, milho, carne) e pela mineração (minério de ferro).
Em 2021, o PIB brasileiro havia crescido 5,0%, após a queda de 3,3% em 2020. O crescimento de 2,9% em 2022 representa uma desaceleração esperada, dado o elevado patamar de comparação e o aperto monetário promovido pelo Banco Central ao longo do ano. A taxa básica de juros, a Selic, encerrou 2022 em 13,75% ao ano, pressionando o crédito e o consumo. No cenário externo, a guerra na Ucrânia e a desaceleração da economia global também influenciaram o desempenho.
Para 2023, o Monitor do PIB-FGV e as projeções de mercado indicam crescimento bem mais modesto, entre 1,0% e 1,5%, refletindo os efeitos defasados da política monetária contracionista e a desaceleração global. A queda gradual da inflação e a eventual redução dos juros ao longo do segundo semestre podem dar novo fôlego à economia. O mercado de trabalho, ainda resiliente, deve continuar apoiando o consumo.
Além disso, o governo federal anunciou medidas de estímulo, como o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e reformas estruturais, que podem melhorar o ambiente de negócios no médio prazo. Contudo, a incerteza fiscal e o cenário político devem ser monitorados de perto.
Em suma, o Monitor do PIB-FGV aponta crescimento de 2,9% em 2022, consolidando a recuperação pós-pandemia. Para acompanhar mais análises sobre a economia brasileira, visite a categoria Economia do nosso site.