Novo executivo da Americanas pede atenção da empresa para evitar erros

Por Redação O Tabloide 15 de janeiro de 2024 4 min de leitura

A Americanas vive um dos capítulos mais críticos de sua história centenária. Desde a revelação do rombo contábil de mais de R$ 40 bilhões, a varejista busca se reerguer sob uma nova administração. O executivo que assumiu o comando da empresa em dezembro fez um discurso incisivo para todos os colaboradores, pedindo atenção redobrada para evitar que erros do passado se repitam.

Em comunicado interno obtido pela reportagem, o novo CEO afirmou que a cultura de governança será a espinha dorsal da reestruturação. "Precisamos de uma mudança de mentalidade. Cada funcionário, do estagiário ao diretor, deve se sentir responsável pela integridade dos nossos processos. A confiança se conquista com atos, não com palavras", disse.

Entre as primeiras medidas anunciadas está a criação de um Conselho de Administração independente, com maioria de membros externos. A empresa também contratou uma auditoria externa para revisar todos os balanços dos últimos cinco anos. "Vamos virar a página, mas sem esquecer as lições. A transparência será total", completou o executivo.

O mercado reagiu com otimismo cauteloso. As ações da Americanas (AMER3) registraram alta de 5,2% no pregão seguinte ao anúncio, sinalizando que os investidores estão dispostos a dar crédito à nova gestão. No entanto, analistas do Credit Suisse alertam que a recuperação será longa. "O plano de recuperação judicial ainda precisa ser aprovado pelos credores, e a confiança no mercado de capitais leva anos para ser reconstruída", destacou um relatório.

A negociação com os credores é o ponto mais espinhoso. A dívida total da Americanas supera R$ 40 bilhões, distribuída entre bancos, debenturistas e fornecedores. O novo CEO já iniciou conversas individuais com os maiores credores, buscando um acordo que evite a liquidação da empresa e preserve o máximo de empregos possível.

Especialistas em direito falimentar ouvidos pelo O Tabloide apontam que a Americanas tem condições de emergir da recuperação judicial, desde que haja compromisso real com a governança. "O que o mercado quer ver é uma separação clara entre a gestão e o acionista de referência. A nova diretoria parece estar caminhando nessa direção", avaliou um professor de direito empresarial da FGV.

O impacto social da crise é enorme. Mais de 12 mil funcionários foram demitidos nos últimos 12 meses, e centenas de lojas foram fechadas. O novo presidente afirmou que a reestruturação é dolorosa, mas necessária. "Estamos fazendo o possível para preservar o maior número de postos de trabalho. A Americanas tem um papel social importante no país", disse em uma visita a um centro de distribuição em São Paulo.

A varejista também anunciou uma parceria com uma consultoria internacional para modernizar seus sistemas de controle interno e compliance. A ideia é implementar um sistema de monitoramento em tempo real de todas as transações financeiras, algo que não existia na gestão anterior. "Não se trata apenas de evitar fraudes, mas de gerir melhor o capital de giro e evitar perdas operacionais", explicou o executivo.

O setor varejista acompanha o caso de perto. A crise da Americanas expôs fragilidades no mercado de capitais brasileiro e gerou uma onda de reformas nas práticas de governança de outras grandes companhias abertas. A expectativa é que o case se torne um marco na regulação do mercado financeiro nacional.

O futuro da Americanas depende diretamente da capacidade de execução do novo plano de negócios. O CEO prometeu apresentar resultados concretos nos próximos trimestres. "Não vou prometer milagres, mas vou garantir trabalho duro e honesto. É assim que vamos reconquistar o nosso espaço", finalizou.

O Tabloide continuará acompanhando de perto cada passo dessa recuperação. A história da Americanas é um alerta para todo o mercado, mas também pode ser uma lição de superação e renovação.