PIB cresceu 1,6% no primeiro trimestre, projeta FGV
A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou nesta segunda-feira sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre de 2024. A estimativa aponta crescimento de 1,6% em relação ao trimestre anterior, sinalizando uma recuperação mais forte do que a esperada.
Segundo o relatório, o avanço foi puxado principalmente pelo desempenho da agropecuária, que registrou safra recorde, e pelo setor de serviços, que voltou a crescer após um período de estagnação. A indústria também apresentou números positivos, embora em ritmo mais moderado.
O monitoramento da FGV leva em conta indicadores como produção industrial, vendas no varejo, mercado de trabalho e consumo das famílias. A projeção é baseada no modelo de frequência misto (Mixed-Frequency), que permite atualizar a estimativa conforme novos dados são divulgados.
Para o segundo trimestre, a FGV ainda não divulgou uma projeção consolidada, mas os analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central já revisaram suas expectativas para cima. O Boletim Focus, divulgado na última sexta-feira, aponta para um crescimento de 1,9% no PIB de 2024 como um todo.
O que está impulsionando o PIB?
O desempenho positivo da economia brasileira nos primeiros meses do ano reflete uma combinação de fatores. O mercado de trabalho aquecido, com redução da taxa de desemprego, tem sustentado o consumo das famílias. Além disso, os investimentos em infraestrutura e os programas de transferência de renda do governo federal contribuíram para manter a demanda interna aquecida.
No setor externo, as exportações de commodities agrícolas e minerais continuam fortes, beneficiadas pelos preços internacionais elevados. Contudo, a FGV alerta para riscos como a desaceleração da economia chinesa e a volatilidade cambial, que podem afetar o desempenho nos próximos meses.
Perspectivas para o restante do ano
A projeção da FGV para o primeiro trimestre está alinhada com as estimativas de outras instituições financeiras. O Fundo Monetário Internacional (FMI), em seu relatório mais recente, prevê crescimento de 2,1% para o Brasil em 2024. Já o mercado financeiro brasileiro, segundo o Boletim Focus, aposta em 1,9%.
Apesar do otimismo, há incertezas no cenário fiscal. O governo tem buscado aprovar medidas de ajuste fiscal para garantir a sustentabilidade das contas públicas, o que pode impactar os investimentos e o consumo no médio prazo. A FGV acompanha de perto esses desdobramentos.
O PIB brasileiro cresceu 2,9% em 2023, segundo o IBGE. Para 2024, a mediana das projeções do mercado está em torno de 1,9%, mas a surpresa positiva no primeiro trimestre pode levar a novas revisões para cima.