Presidente do Banco Central vê curva “benigna” de inflação

Redação O Tabloide Leitura de 4 minutos

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a curva de inflação brasileira segue uma trajetória benigna, sinalizando que o ciclo de aperto monetário pode estar próximo do fim. A declaração foi dada durante evento do Bank of America, em São Paulo, e foi recebida com otimismo pelo mercado financeiro.

De acordo com Campos Neto, a desaceleração da inflação ao consumidor, medida pelo IPCA, tem sido consistente, influenciada pela queda dos preços das commodities e pela política monetária restritiva implementada pelo Copom. “Nós observamos uma curva benigna. A inflação de serviços está cedendo gradualmente, as expectativas de inflação estão se ancorando e os núcleos da inflação apresentam trajetória de queda”, afirmou.

O presidente do BC fez questão de ressaltar, no entanto, que o Comitê de Política Monetária não segue um roteiro pré-estabelecido. “O Copom está vigilante e continuará monitorando de perto os dados econômicos. A decisão sobre o ritmo e a magnitude do afrouxamento monetário será tomada com base na evolução do cenário fiscal, da atividade econômica e da inflação de serviços”, completou.

A fala de Campos Neto foi interpretada pelo mercado como um sinal de que o Copom pode iniciar um ciclo de cortes de juros na próxima reunião, em setembro. A expectativa predominante é de uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Após a declaração, os contratos de juros futuros registraram queda, e o Ibovespa operava em alta.

Analistas do mercado financeiro também reagiram positivamente. O Boletim Focus mostrou uma leve revisão para baixo nas expectativas para o IPCA em 2024, de 4,95% para 4,90%. As projeções para o crescimento do PIB também foram ligeiramente ajustadas. “A visão do presidente do BC reforça a tese de que a inflação está sob controle e que os juros podem cair mais cedo do que o esperado”, comentou um analista de uma corretora.

Apesar do tom otimista, Campos Neto alertou para os riscos que podem comprometer a convergência da inflação para a meta. “A inflação de serviços ainda é um ponto de atenção, especialmente diante de um mercado de trabalho aquecido que pode pressionar os salários. Além disso, o cenário externo permanece incerto, com conflitos geopolíticos e a desaceleração da economia global”, ponderou.

O presidente do BC também destacou a importância da política fiscal para a ancoragem das expectativas de inflação. “O arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso foi um passo fundamental, mas a execução orçamentária e o cumprimento das metas fiscais serão determinantes para a credibilidade do regime fiscal e para a trajetória de queda da inflação no longo prazo”, afirmou.

O mercado aguarda agora a divulgação do IPCA-15 de julho e a ata da reunião do Copom para confirmar o cenário projetado. A visão do presidente do Banco Central de uma curva benigna de inflação sinaliza que o pior da inflação pode ter ficado para trás, abrindo caminho para um ambiente de juros mais baixos e retomada da atividade econômica nos próximos meses.

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