O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) referentes ao mês de fevereiro. De acordo com o levantamento, o volume de serviços prestados no país recuou 0,2% na comparação com janeiro, interrompendo uma sequência de dois meses consecutivos de alta, período em que o setor acumulava ganho de 1,6%.
Na comparação com fevereiro do ano passado, no entanto, o setor de serviços registrou expansão de 1,4%, marcando o 13º resultado positivo consecutivo nesse tipo de confronto. O acumulado nos últimos 12 meses também é positivo, de 1,2%, o que reforça a resiliência do setor mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador.
Segmentos em queda
Dos cinco segmentos de atividades pesquisados, três apresentaram recuo no volume de serviços em fevereiro. A maior queda foi observada no segmento de serviços prestados às famílias (-1,5%), influenciada principalmente pelo desempenho dos setores de alimentação e alojamento. O segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio registrou retração de 0,7%, enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares caíram 0,4% no período.
“O resultado negativo nos serviços prestados às famílias reflete uma acomodação após o período de férias e carnaval, além do apertado orçamento das famílias brasileiras, ainda impactadas pelo endividamento”, explicou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.
Segmentos em alta
Em contrapartida, o segmento de informação e comunicação apresentou crescimento de 0,5% em fevereiro, puxado principalmente pelos serviços de tecnologia da informação, que incluem desenvolvimento de software, consultoria em TI e processamento de dados. O segmento de outros serviços também registrou alta, de 1,1% no mês.
Comparação regional
A pesquisa do IBGE também revela que o volume de serviços caiu em 14 das 27 unidades da federação em fevereiro. As principais contribuições negativas vieram de São Paulo (-0,2%), Rio de Janeiro (-1,6%), Minas Gerais (-1,0%) e Rio Grande do Sul (-0,7%). Esses estados concentram grande parte da atividade econômica do setor no país.
No lado positivo, o Distrito Federal registrou a maior alta do mês (3,4%), seguido pelo Paraná (0,8%) e por Mato Grosso (0,6%). O resultado do DF foi impulsionado pelo crescimento nos serviços de tecnologia e nas atividades administrativas públicas.
Impacto na economia e expectativas
O setor de serviços é o principal motor do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, representando cerca de 70% de toda a atividade econômica do país. Por isso, os dados da PMS são acompanhados de perto por analistas e formuladores de política econômica.
Para a economista-chefe de uma consultoria, “o recuo de 0,2% era esperado pelo mercado, e não altera significativamente o cenário de crescimento moderado para 2024. No entanto, a desaceleração na margem acende um alerta para a força da demanda interna e deve ser monitorada nos próximos meses”.
O mercado de trabalho aquecido, com taxa de desemprego em patamares baixos, e o aumento da renda real têm sustentado a demanda por serviços. Por outro lado, a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em um nível ainda restritivo e o elevado endividamento das famílias são fatores que podem limitar o crescimento do setor ao longo do ano.
Revisão dos dados de janeiro
O IBGE também revisou o resultado de janeiro, que inicialmente era de alta de 0,5%, para 0,2%. A revisão ocorre após a incorporação de novas informações à base de dados da pesquisa. Com isso, a alta acumulada no primeiro bimestre de 2024 é de 0,4%.