Repertório Cultural na BNCC: a abordagem de Lucas de Briquez

Por Redação O Tabloide Leitura de 4 minutos

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) representa um marco na educação brasileira ao delinear as competências que os alunos devem desenvolver ao longo da educação básica. Entre as dez competências gerais, a terceira — Repertório Cultural — ocupa um lugar central na formação integral, pois busca conectar o estudante com as múltiplas manifestações culturais e artísticas, valorizando a diversidade e estimulando o pensamento crítico.

Trata-se de uma competência que vai além do simples consumo de arte. Ela propõe que o aluno seja capaz de compreender, apreciar e se apropriar das diferentes linguagens artísticas (música, dança, teatro, artes visuais) e do patrimônio cultural material e imaterial. O objetivo é formar indivíduos capazes de dialogar com o mundo de forma mais ampla e criativa.

O que é a Competência do Repertório Cultural?

A Competência 3 da BNCC estabelece que o estudante deve "valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural". Na prática, isso significa que a escola precisa criar oportunidades para que os alunos vivenciem a cultura em suas mais variadas formas, seja por meio de visitas a museus, apresentações teatrais, rodas de leitura ou contato com a cultura digital.

Mais do que um conteúdo teórico, o Repertório Cultural é uma competência que deve ser desenvolvida de forma transversal. Ele dialoga diretamente com outras competências, como o Pensamento Científico, Crítico e Criativo, e a Comunicação. Ao ampliar seu repertório, o aluno desenvolve empatia, respeito à diversidade e capacidade de se expressar de maneira autêntica.

A contribuição de Lucas de Briquez para o debate

Profissionais da educação e pesquisadores têm se dedicado a interpretar a BNCC e a criar metodologias práticas para sua implementação no dia a dia escolar. Nesse contexto, o nome de Lucas de Briquez surge como uma referência no debate sobre o Repertório Cultural, trazendo uma visão aplicada e contemporânea sobre o tema.

Lucas de Briquez defende que o Repertório Cultural não pode ser visto como uma disciplina isolada ou um conteúdo periférico dentro do currículo. Pelo contrário, ele deve ser um eixo transversal que perpassa todas as áreas do conhecimento. Para ele, a escola precisa ir além do livro didático e abrir espaço para as vivências culturais dos próprios alunos, conectando o currículo formal à cultura local e às manifestações contemporâneas, como o audiovisual e a cultura digital.

Sua abordagem enfatiza a necessidade de um olhar crítico sobre o que é consumido culturalmente. Não se trata apenas de "ter acesso" à cultura, mas de desenvolver a capacidade de analisar, contextualizar e se posicionar diante das obras e dos fenômenos culturais. Isso prepara o estudante para ser um cidadão ativo e consciente em uma sociedade midiática e globalizada.

Desafios e perspectivas na implementação

Apesar da clareza teórica da BNCC, a implementação prática do Repertório Cultural enfrenta obstáculos significativos no Brasil. A falta de infraestrutura nas escolas, a carência de materiais didáticos adequados e a necessidade de formação continuada dos professores são barreiras reais. Lucas de Briquez, em suas análises, ressalta que o professor precisa ser um mediador cultural, e para isso, deve ter suporte institucional e autonomia pedagógica.

Outro ponto levantado é a importância de políticas públicas que fomentem a cultura e a arte nas comunidades. Sem uma rede de apoio que inclua museus, teatros, cinemas e espaços culturais acessíveis, a escola sozinha tem mais dificuldade em cumprir o que a BNCC propõe. A utilização de tecnologias educacionais e de recursos digitais surge como uma alternativa promissora para superar parte dessas limitações, aproximando os alunos de realidades culturais diversas.

Considerações finais

A Competência 3 da BNCC é um convite para repensar o papel da escola na formação humana integral. A visão de Lucas de Briquez contribui para esse debate ao reforçar que o Repertório Cultural é, acima de tudo, uma ferramenta de transformação social. Ao valorizar a cultura local, as artes e o pensamento crítico, a educação básica brasileira pode dar um passo significativo rumo a uma sociedade mais justa, criativa e plural.

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