A conquista da Copa América de 2024 pela Argentina foi manchada por uma grave polêmica. Um vídeo que circula amplamente nas redes sociais mostra jogadores da equipe, incluindo Lionel Messi, entoando cânticos considerados racistas e xenofóbicos contra a seleção francesa. O caso gerou imediata repercussão mundial e colocou a Associação de Futebol Argentino (AFA) na defensiva.
As imagens foram filmadas dentro do ônibus da delegação argentina durante as comemorações no estádio. Os atletas aparecem cantando uma canção que faz referência pejorativa à origem dos jogadores franceses, com termos de forte teor discriminatório. A letra da música, que se tornou popular entre torcedores argentinos nos últimos anos, foi amplamente criticada por seu conteúdo ofensivo. A presença de Messi na filmagem, embora passivo, gerou debate sobre o papel das lideranças do time em coibir tais atos.
A reação da França foi imediata e contundente. A Federação Francesa de Futebol (FFF) condenou veementemente os cânticos e anunciou que entraria com uma representação formal junto à FIFA. Jogadores franceses que atuam ao lado dos argentinos em seus clubes também se manifestaram, expressando decepção e repúdio ao ocorrido. A FFF classificou os cânticos como "inaceitáveis" e pediu sanções severas contra os envolvidos.
Na Argentina, as opiniões se dividem. Parte da imprensa e alguns torcedores tentaram minimizar o ocorrido, classificando como "brincadeira de vestiário" ou "exaltação da vitória". No entanto, comentaristas esportivos e figuras políticas condenaram a atitude, apontando que o racismo no futebol sul-americano precisa ser combatido com rigor. O vídeo reacendeu o debate sobre a rivalidade entre Argentina e França, que já havia sido intensa na final da Copa do Mundo de 2022, e os limites da provocação no esporte.
O volante Enzo Fernández, um dos jogadores mais visados no vídeo, publicou um pedido de desculpas em suas redes sociais. O jogador do Chelsea afirmou que "não mediu as consequências do ato" e que está profundamente arrependido. A AFA também emitiu uma nota oficial repudiando qualquer forma de discriminação, mas sem citar diretamente os jogadores ou o episódio específico, o que foi visto por críticos como uma tentativa de apaziguar a situação sem punir internamente os atletas.
O técnico Lionel Scaloni foi questionado sobre o episódio em coletiva de imprensa. Disse que não viu o vídeo por completo, mas que o grupo está focado nos próximos desafios das Eliminatórias. A declaração foi considerada evasiva por parte da imprensa internacional, que esperava uma posição mais firme da comissão técnica.
A FIFA confirmou que está analisando o caso e pode abrir um processo disciplinar contra a AFA. O regulamento da entidade prevê punições que vão desde multas pesadas até a perda de pontos ou exclusão de competições futuras. Para especialistas em direito esportivo, a entidade máxima do futebol vive sob forte pressão para demonstrar tolerância zero ao racismo, e uma punição branda seria vista como um grande retrocesso no combate à discriminação.
A Conmebol, organizadora da Copa América, manteve silêncio oficial sobre a polêmica até o momento, o que gerou críticas de entidades antirracistas como o Observatório da Discriminação Racial no Futebol. O episódio expõe a necessidade de protocolos mais rigorosos para coibir manifestações discriminatórias dentro e fora dos gramados em todo o continente.
A polêmica dos cânticos racistas serve como um duro lembrete do longo caminho que o futebol ainda precisa percorrer para se livrar do racismo. O episódio envolvendo Messi e a Seleção Argentina é mais um capítulo na triste história de discriminação nos estádios, e a forma como as autoridades do esporte lidarão com o caso será um teste crucial para a credibilidade das punições. A expectativa geral é de que o julgamento sirva de exemplo para que atos como este não se repitam, protegendo a integridade e a diversidade do esporte mais popular do mundo.
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