Lula defende taxação dos super-ricos e combate à fome na OIT

Por Redação O Tabloide 13 de junho de 2024

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta quarta-feira (13) na 111ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, defendendo a implementação de um imposto global sobre os super-ricos e a formação de uma ampla aliança internacional para erradicar a fome.

Em um discurso de forte apelo social, Lula afirmou que a concentração de riqueza é uma ameaça à democracia e à estabilidade global. "Não podemos aceitar que 1% da população mundial detenha mais riqueza do que os outros 99%. A taxação dos super-ricos não é uma bandeira ideológica, é uma necessidade moral e econômica", declarou o presidente, sendo aplaudido por grande parte da plateia.

Lula sugeriu que os recursos arrecadados com o novo imposto sejam destinados ao combate à fome, à pobreza extrema e às mudanças climáticas. Ele lembrou que o Brasil conseguiu sair do Mapa da Fome da ONU em 2014 e que está empenhado em repetir esse feito, mas ressaltou que a luta contra a fome é um desafio global que exige cooperação internacional.

"Estamos reconstruindo as políticas de segurança alimentar, fortalecendo a agricultura familiar e retomando programas como o Bolsa Família e o Farmácia Popular. Mas a fome não respeita fronteiras. Precisamos de uma aliança global contra a fome, e o Brasil quer liderar esse movimento", disse Lula.

A proposta brasileira foi apresentada no contexto da presidência do Brasil no G20. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que acompanha o presidente na comitiva, afirmou que o governo pretende levar a discussão para os próximos fóruns internacionais. "A tributação das grandes fortunas ganhou tração após a pandemia, e o Brasil quer aproveitar esse momento histórico para avançar com a pauta", declarou Haddad.

A declaração de Lula repercutiu positivamente entre países em desenvolvimento e organizações não governamentais, mas encontrou resistência entre algumas delegações de países desenvolvidos, que argumentam que a medida poderia gerar fuga de capitais e comprometer a competitividade.

Especialistas consultados pelo O Tabloide avaliam que a proposta enfrenta um caminho espinhoso, mas recoloca o Brasil como protagonista no debate sobre a reforma da governança global. Para a economista Marina Silva, a iniciativa é corajosa e necessária. "Os super-ricos acumularam uma fortuna imensa durante a crise sanitária e a guerra na Ucrânia. É justo que contribuam com uma parcela maior para o bem-estar coletivo."

No Brasil, a discussão sobre a tributação de grandes fortunas está prevista na Constituição de 1988, mas nunca foi regulamentada. O governo Lula já enviou ao Congresso um projeto de lei que taxa fundos exclusivos e offshores, considerado um primeiro passo para uma discussão mais ampla sobre a reforma tributária.

A Conferência da OIT segue até o final da semana, e Lula ainda deve participar de reuniões bilaterais com líderes de outros países para angariar apoio à proposta de taxação global. A expectativa do governo brasileiro é que o tema ganhe destaque na Cúpula do G20, que será realizada no Rio de Janeiro em novembro.

O presidente também se reuniu com representantes de trabalhadores e empregadores brasileiros, ouvindo demandas sobre reforma sindical, segurança no trabalho e formalização do emprego. Lula encerrou sua participação no evento com um chamado à união: "O mundo precisa de menos armas e mais livros, de menos muros e mais pontes. O trabalho decente é o caminho para a paz e a prosperidade."