MEC diz “buscar soluções” sobre bloqueio orçamentário e garante continuidade de programas
O Ministério da Educação (MEC) divulgou nota oficial nesta segunda-feira informando que está “buscando soluções” junto às equipes econômicas do governo federal para contornar os efeitos do bloqueio orçamentário recentemente imposto. A pasta reafirmou o compromisso com a manutenção dos programas estratégicos e com o pleno funcionamento das instituições federais de ensino.
De acordo com a assessoria do MEC, o contingenciamento atinge, principalmente, as despesas discricionárias — aquelas destinadas ao custeio básico, como contas de luz, água, serviços de limpeza, vigilância e contratos de manutenção. A pasta reconhece a necessidade de ajuste fiscal, mas garante que os repasses para iniciativas prioritárias, como o Pé-de-Meia e o Programa Escola em Tempo Integral, estão plenamente preservados.
A declaração gerou imediata reação de associações de reitores e sindicatos de servidores técnico-administrativos. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) emitiu nota expressando “grave preocupação” com o bloqueio e alertou para o risco de paralisação de atividades acadêmicas e de pesquisa caso o contingenciamento não seja revertido. “As universidades já operam com orçamento apertado. Qual corte adicional pode comprometer o funcionamento básico”, afirmou a entidade.
Especialistas em orçamento público consultados pela reportagem explicam que o bloqueio orçamentário é um instrumento de ajuste fiscal utilizado pelo governo quando a arrecadação fica abaixo do esperado. A margem de manobra do MEC, dentro do atual arcabouço fiscal, é bastante limitada. Uma solução definitiva, segundo eles, dependeria de um cenário macroeconômico mais favorável ou de um remanejamento de verbas aprovado pelo Congresso Nacional.
O MEC informou que novas reuniões com a Casa Civil e os Ministérios da Fazenda e do Planejamento estão agendadas para os próximos dias. A pasta se comprometeu a manter a comunidade acadêmica e a sociedade informadas sobre os desdobramentos das negociações. A expectativa é de que um novo relatório de receitas e despesas seja divulgado na próxima semana, trazendo mais clareza sobre o cenário fiscal.
Enquanto isso, reitores de universidades federais de todo o país realizam assembleias e mobilizações para pressionar o governo pela recomposição integral do orçamento. A situação acende um alerta para o início do próximo semestre letivo, que pode ser afetado por cortes de verbas essenciais.