Moraes determina investigação contra senador Marcos do Val

Por Redação O Tabloide 16 de janeiro de 2024

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (16) a abertura de investigação contra o senador Marcos do Val (Podemos-ES). A decisão foi tomada com base em elementos apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontam suposto envolvimento do parlamentar em atos que atentam contra o Estado Democrático de Direito.

Segundo informações do STF, a investigação tem como objetivo apurar a conduta de Marcos do Val em encontros realizados com ex-assessores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, teriam sido discutidos planos para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro sem apresentar provas concretas. O senador é acusado de ter participado de reuniões nas quais se aventou a possibilidade de questionar a lisura das urnas eletrônicas.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa de Marcos do Val classificou a iniciativa de "arbitrária" e afirmou que o senador sempre agiu dentro dos limites da lei. “Ele jamais participou de qualquer ato que pudesse colocar em risco a democracia. É um defensor intransigente da liberdade de expressão e do devido processo legal”, destacou o advogado.

Repercussão política

A decisão de Moraes gerou reações divergentes no cenário político. Parlamentares da base do governo Lula elogiaram a medida, afirmando que ela é necessária para coibir ações que possam desestabilizar as instituições. Já integrantes da oposição criticaram a investigação, classificando-a como “perseguição política” e “ativismo judicial”.

Esta não é a primeira vez que Marcos do Val é alvo de questionamentos na Justiça. Em 2023, ele foi convocado a prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou os atos de 8 de janeiro. Na ocasião, o senador negou qualquer participação nos atos de vandalismo que resultaram na invasão do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do STF.

Próximos passos

Agora, caberá à Polícia Federal (PF) realizar as diligências necessárias para esclarecer os fatos. O inquérito corre em sigilo, mas novas informações deverão ser divulgadas assim que houver avanços significativos.

Os investigadores buscam esclarecer se houve participação do senador em um suposto esquema de disseminação de fake news contra as urnas eletrônicas. A PGR já recolheu depoimentos de testemunhas e cópias de mensagens trocadas entre assessores do ex-presidente e aliados. A expectativa é que o inquérito seja concluído em até 90 dias, podendo ser prorrogado se necessário.

Marcos do Val, de 58 anos, está em seu primeiro mandato como senador, eleito em 2018 pelo Podemos. Antes de ingressar na política, foi militar e instrutor de defesa pessoal. Durante a campanha presidencial de 2022, ele participou de eventos ao lado de Bolsonaro, o que gerou especulações sobre sua proximidade com o ex-presidente. Desde então, sua atuação no Congresso tem sido marcada por posições conservadoras e críticas ao governo Lula.

Além da investigação autorizada por Moraes, o senador enfrenta outras ações na Justiça, incluindo uma queixa-crime por supostas declarações caluniosas contra ministros do STF. A defesa nega todas as acusações e afirma confiar na inocência do parlamentar.

Especialistas ouvidos pelo O Tabloide avaliam que a abertura de investigação é um procedimento padrão quando há indícios de irregularidades. No entanto, alertam para a necessidade de se garantir o contraditório e a ampla defesa.

O caso reacende o debate sobre os limites da atuação do Judiciário e o papel do STF como guardião da Constituição. Acompanharemos o desenrolar dos acontecimentos e traremos novas informações assim que estiverem disponíveis.