A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou nesta segunda-feira (15) o Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) referente ao ano de 2023. Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2013, a média geral do setor ultrapassou a barreira dos 0,82 pontos em uma escala de 0 a 1, consolidando uma trajetória de recuperação e eficiência do mercado de planos de saúde no Brasil.

“Os números mostram que o setor está no caminho certo”, afirmou o diretor de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, em coletiva de imprensa. “Estamos colhendo os frutos de uma regulação mais moderna e do compromisso das operadoras com a qualidade. O IDSS 2023 reflete investimentos consistentes em gestão e tecnologia.”

O IDSS é composto por quatro dimensões principais que avaliam diferentes aspectos da operação das empresas de saúde suplementar. A primeira delas é a Qualidade em Atenção à Saúde, que mede indicadores assistenciais como resolutividade dos tratamentos e satisfação dos beneficiários. Em seguida, a dimensão de Sustentabilidade no Mercado analisa a saúde financeira e a longevidade das operadoras. A Gestão de Processos avalia a eficiência administrativa, enquanto a Regulação verifica o cumprimento das normas estabelecidas pela ANS.

As operadoras de grande porte, como Bradesco Saúde, SulAmérica e Amil, mantiveram as melhores colocações no ranking geral, demonstrando solidez e eficiência na gestão. No entanto, a surpresa ficou por conta das operadoras de médio porte que mais avançaram no índice, impulsionadas por programas de medicina preventiva e digitalização dos processos. Dados do setor indicam que a adoção de prontuários eletrônicos e plataformas de telemedicina foi um dos principais motores desse avanço.

Para o consumidor, um IDSS mais alto significa, em teoria, uma melhor experiência com o plano de saúde, incluindo menor tempo de espera por consultas e exames, maior cobertura e resolutividade dos tratamentos. Especialistas em saúde suplementar apontam que o resultado positivo também é reflexo do amadurecimento do mercado, que aprendeu a operar de forma mais eficiente após os desafios impostos pela pandemia de Covid-19.

“A pandemia forçou uma transformação digital acelerada no setor. Operadoras que investiram em telemedicina e atendimento remoto conseguiram não apenas manter a qualidade, mas também reduzir custos operacionais. Esse ganho de eficiência agora aparece refletido no IDSS”, explicou a economista da saúde Carla Mendes, em entrevista ao O Tabloide.

Apesar do resultado positivo, a ANS alerta que ainda há desafios a serem superados. A sinistralidade elevada em alguns segmentos e a necessidade de ampliar a cobertura assistencial em regiões mais remotas do país ainda pressionam as operadoras. A expectativa do órgão regulador é que o índice continue a melhorar nos próximos anos, impulsionado por inovações tecnológicas e pela maior integração entre os sistemas público e privado de saúde.

O IDSS é uma ferramenta fundamental para a transparência do setor. Os consumidores podem acessar o portal da ANS e consultar o índice de cada operadora antes de contratar um plano de saúde, utilizando a nota como um dos critérios de escolha. A recomendação das associações de defesa do consumidor é que o IDSS seja analisado em conjunto com outros fatores, como a rede credenciada e o tipo de cobertura oferecida.

Com a melhora consistente do índice, o Brasil se alinha às melhores práticas internacionais de regulação da saúde suplementar, onde indicadores de desempenho são amplamente utilizados para orientar consumidores e estimular a competição por qualidade entre as operadoras. A tendência, segundo analistas, é de que o IDSS se torne um critério cada vez mais relevante na decisão de compra dos brasileiros.