Uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto DataSaúde revelou que mais de 40% dos profissionais brasileiros sofreram piora significativa na saúde física e mental durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19. O estudo ouviu 2.000 trabalhadores de todas as regiões do Brasil entre janeiro e fevereiro de 2022.

A pesquisa, conduzida online, avaliou indicadores como dores no corpo, fadiga, alterações no sono (saúde física) e ansiedade, depressão, estresse (saúde mental). Os resultados mostram que 41,5% dos entrevistados relataram piora na condição física, enquanto 43,2% afirmaram que a saúde mental se deteriorou.

Os profissionais da área da saúde foram os mais afetados: 57% relataram piora na saúde mental. Em seguida aparecem trabalhadores do comércio (48%) e da educação (45%). As mulheres foram mais impactadas que os homens, especialmente as mães que precisaram conciliar trabalho remoto e cuidados com os filhos.

Impacto por faixa etária e setor

Entre os trabalhadores de 25 a 40 anos, os índices de piora superaram 50%. No setor de tecnologia, o aumento de queixas relacionadas à ansiedade chegou a 65%. Já no comércio, os problemas físicos como dores nas costas e lesões por esforço repetitivo foram os mais citados.

"A pandemia escancarou a fragilidade do bem‑estar no ambiente corporativo. As empresas precisam adotar políticas efetivas de acolhimento e suporte psicológico", afirma a coordenadora da pesquisa, Dra. Ana Beatriz Silveira.

O levantamento também apontou que 30% dos entrevistados consideraram pedir demissão por causa do impacto na saúde. Entre os profissionais que já pediram desligamento, a insatisfação com o suporte da empresa foi o principal motivo.

Recomendações para as empresas

Com base nos resultados, os pesquisadores sugerem que as organizações implementem programas de saúde mental, como pausas durante a jornada, linhas de apoio psicológico e flexibilidade de horários. A prática de exercícios físicos e o incentivo a pausas regulares foram citados como fatores de proteção.

Para a Dra. Ana Beatriz, "as empresas que não se adaptarem a essa nova realidade podem sofrer com alta rotatividade e queda de produtividade". O estudo completo está disponível no site do Instituto DataSaúde e deve servir de alerta para empregadores e poder público sobre os efeitos duradouros da pandemia na força de trabalho brasileira.

Em outras matérias, O Tabloide já abordou a relação entre home office e qualidade de vida, além de dicas para manter a saúde mental no trabalho. Acompanhe nossa cobertura.