Não existe interesse em lucrar com violência, diz representante da Meta
Em audiência pública na Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados, realizada nesta quarta-feira, um representante da Meta – conglomerado dono do Facebook, Instagram e WhatsApp – afirmou categoricamente que “não existe interesse em lucrar com violência”. A declaração ocorreu em resposta a questionamentos sobre a propagação de conteúdos violentos e discursos de ódio nas plataformas da empresa.
O executivo, cujo nome não foi divulgado pela assessoria, destacou que a Meta investe pesadamente em inteligência artificial e moderação humana para detectar e remover postagens que violem as diretrizes comunitárias. “Nossa política de monetização é clara: não permitimos anúncios em conteúdos que promovam violência, terrorismo ou discriminação”, reiterou. Segundo ele, a empresa também mantém equipes dedicadas a analisar denúncias de usuários.
A audiência foi convocada após uma série de reportagens apontarem que grupos extremistas estariam utilizando as redes sociais para recrutar membros, organizar ataques e arrecadar fundos. Representantes de organizações de direitos humanos presentes na sessão cobraram maior transparência nos algoritmos e mais rigor na moderação de conteúdos patrocinados.
Como contraponto, o representante da Meta informou que, somente no último trimestre, mais de 12 milhões de peças de conteúdo violento foram removidas no Brasil. “Trabalhamos em parceria com as autoridades locais e organizações da sociedade civil para melhorar continuamente nossos processos de moderação”, afirmou. Ele acrescentou que a empresa está ampliando o programa de verificação de fatos em parceria com agências independentes.
Apesar dos números, especialistas consideram as medidas insuficientes. Letícia Santos, pesquisadora do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), argumenta que enquanto o modelo de negócios das plataformas for baseado em engajamento, haverá incentivos econômicos para conteúdos sensacionalistas e polarizadores. “É preciso repensar o algoritmo para priorizar informações verificadas e reduzir o alcance de publicações nocivas”, defendeu.
A Meta também anunciou novas funcionalidades de controle parental e denúncia integrada, além de ferramentas para limitar o tempo de uso, voltadas especialmente para adolescentes. A empresa afirmou que está aberta ao diálogo com legisladores e que apoia iniciativas de educação digital.
O debate sobre regulação das redes sociais continua em pauta no Congresso Nacional. Projetos de lei em tramitação propõem maior transparência nos algoritmos, criação de um órgão regulador independente e responsabilização das plataformas por conteúdos publicados por terceiros. A expectativa é que novas audiências sejam realizadas nas próximas semanas.