Nunca é tarde para o diagnóstico de superdotação

Quando falamos em superdotação, muitas vezes imaginamos crianças prodígio exibindo suas habilidades em programas de pequenos “gênios” na televisão. No Brasil, temos diversos gênios mirins, e de acordo com a Associação Mensa Brasil, há 2.621 pessoas superinteligentes identificadas em território nacional e mais outros 31 brasileiros superdotados no exterior. No entanto, o que muitos não sabem é que o diagnóstico de superdotação pode surgir tardiamente na vida adulta, e não somente na infância.

De acordo com o pós PHD em neurociência, Fabiano de Abreu Agrela, diversas pessoas só têm o diagnóstico após passarem boa parte da vida sem entender o motivo de seus comportamentos. “Esses indivíduos passam a infância de maneira atípica, e comumente chegam a maioridade se sentindo excluídos, desconectados de uma realidade por vezes pouco estimulante, rígida e monótona”, afirma o especialista.

Receber o diagnóstico tardio ajuda a esclarecer diversos dilemas e comportamentos que os superdotados tiveram ao longo dos anos de vida. O gaúcho erechinense,  André Di Francesco, foi diagnosticado aos 47 anos, e explica que agora entende melhor sinais como desenvolvimento cognitivo avançado, habilidades excepcionais em áreas específicas, capacidade de aprendizado rápido, curiosidade intensa e sua criatividade. “Fui diagnosticado já adulto, isso fez com que eu entendesse mais sobre mim mesmo no presente, o meu passado e como a superdotação me trouxe até aqui”, explica André.

Hoje a média nacional é de pouco mais de 83 pontos de QI, e André cravou 130 pontos. Na casa dos 40 anos não apenas se destacou ao ingressar na sociedade de alto QI Mensa por meio de um teste supervisionado, mas também conquistou um lugar na IIS Society. “Participar de uma sociedade de alto QI é incrivelmente gratificante para mim. Trocar experiências com outros adultos que compartilham essa singularidade enriquece minha jornada e me conecta a uma rede valiosa de mentes brilhantes, proporcionando um ambiente estimulante que faltou durante grande parte da minha vida”, destaca o mestre em economia.

Superando as exigências rigorosas desta sociedade que reúne diversos gênios, André não se acomodou com suas conquistas anteriores. Determinado a elevar ainda mais sua pontuação, ele se dedicou como voluntário no projeto GIP (Genetic Intelligence Program). Esse programa foi desenvolvido pelo neurocientista Fabiano de Abreu Agrela, que também é brasileiro e reside em Portugal, com o objetivo de entender mais sobre o genoma humano, decifrando os mistérios da inteligência, mapeando genes relacionados a diversas habilidades e distúrbios mentais.

Ao participar do GIP, o brasileiro não apenas demonstrou seu comprometimento com o aprimoramento constante, mas também consolidou sua posição na IIS Society. Os resultados do teste genético realizado no âmbito do projeto não apenas confirmaram a notável capacidade de André em elevar suas habilidades intelectuais, mas também validaram seu impressionante QI de 130 pontos.

Este fenômeno levanta a questão: quantos outros adultos desconhecem suas altas habilidades intelectuais?

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